Musculação em Adolescentes
terça-feira, 25 de junho de 2013 - by Unknown
Atualmente, a musculação é uma atividade física que cresce
constantemente entre os mais variados tipos de público, inclusive os
adolescentes e alguns dos fatores que tornam as salas de musculação cada
vez mais cheias é a busca pela boa forma, a manutenção da saúde e a
hipertrofia muscular.
A hipertrofia é definida como o aumento da massa muscular. O que
leva a isso é o estímulo do treinamento, que vai gerar alterações
metabólicas, bioquímicas e estruturais no conteúdo muscular, alterando o
tamanho do músculo.
Hipertrofia, é quando o músculo aumenta de tamanho após um
treinamento de musculação contra resistência, e isso significa aumento
no tamanho e no número de filamentos de actina e miosina e a adição de
sarcômeros dentro das fibras musculares já existentes (BARBANTI, 1994,p.
106).
A hipertrofia é o produto final ou resultado após a utilização de
treinamentos especializados em força, ou seja, é uma adaptação
fisiológica do músculo, sendo mais pronunciada após períodos prolongados
desta forma de treinamento. A hipertrofia não deve ser conceituada como
sendo uma valência ou qualidade física, pelo fato de ser uma
supercompensação de um treinamento específico de uma qualidade física.
Há duas formas possíveis de hipertrofia muscular. A primeira forma
é por meio da sobrecarga tensional e a segunda por meio da sobrecarga
metabólica. A característica principal da primeira forma é o aumento das
fibras musculares, causadas pelo aumento de volume e também do número
de miofibrilas adicionando mais proteínas (actina e miosina). A
característica principal da segunda forma é o aumento de espaço
sarcoplasmático (CHIESA, 2002,p. 79).
Para que o processo de aumento da massa muscular ocorra com
eficiência não basta oferecer o estímulo do treinamento físico, também é
necessário manter o organismo em situação metabólica favorável. Esta
situação é predominância do anabolismo sobre o catabolismo, ou seja, das
reações de síntese sobre as reações de degradação de matéria. Quando
ocorre mais anabolismo do que catabolismo o balanço nitrogenado torna-se
positivo, com retenção de nitrogênio e aumento da massa muscular. O
nitrogênio é utilizado nessa situação como marcador na proteína e quando
o seu balanço está positivo, indica que está havendo incorporação de
proteína alimentar em tecido orgânico, na sua maior parte, músculo
esquelético.
Através dos programas de treinamento de força os adolescentes
conseguem ganhos na força muscular, entretanto, a hipertrofia é mais
difícil de alcançar em adolescentes do que em adultos. (FLECK &
KRAEMER, 1999,p.32).
As evidências atuais demonstram que adolescentes se beneficiam do
treinamento de força, apesar de terem pouco favorecimento em relação à
massa muscular.
Benefícios do Treinamento de Hipertrofia em Adolescentes
O objetivo central dos treinamentos contra resistência é a força
muscular e suas diferentes formas de manifestação, assim como a
hipertrofia muscular. A força é uma qualidade física de característica
neuromuscular e volume muscular ativo durante a contração é o
responsável pelo produto final de força gerada no movimento. Quanto mais
e maiores unidades motoras forem ativas ou estimuladas, maior será a
força desenvolvida pelo músculo ou grupo de músculos.
Alguns estudos, já demonstraram que a treinabilidade de força,
existem em todas as faixas etárias. Weineck (2000) cita, por exemplo,
que crianças de cinco anos já podem apresentar, com treinamento
adequado, uma hipertrofia muscular, como nos anos posteriores.
Os ganhos de força principalmente nos adolescentes são
decorrentes, sobretudo das adaptações neurais e dos aumentos do tamanho
muscular e da tensão específica (KRAEMER; FLECK apud COSTILL; WILMORE,
2001, p.67).
Os adolescentes ao ficarem mais velhos e atravessarem a puberdade,
poderão demonstrar o tamanho de seus músculos, o que pode então,
tornar-se objetivo de treinamento.
As adaptações neural é a principal responsável pelo incremento de
força nas primeiras 10 semanas de treinamento, sendo que a contribuição
do incremento na massa muscular ocorre posteriormente, independentemente
da idade (KOMI, 1991, p.178).
O treinamento para hipertrofia tem sido apontado como indesejável
para adolescentes com a justificativa de que pode produzir lesões ou
mesmo doenças. No entanto, Santarém, afirma que, não há evidencias de
que o treinamento para hipertrofia esteja associado com prejuízos para a
saúde. Um programa de treinamento pode aumentar a força e resistência,
mas não necessáriamente, melhorar o desempenho em algumas tarefas
motoras específicas.
A diminuição da incidência de lesões esportivas também pode ser
obtida a partir de programas com exercícios contra resistência (ECR), já
que tais exercícios podem promover o fortalecimento de tendões,
ligamentos e do próprio tecido ósseo. Aumentos na massa muscular podem
ser alcançados com ECR em adolescentes, entretanto, o mesmo não acontece
com pré-adolescentes que carecem de níveis adequados de hormônios
responsáveis pelo aumento da massa muscular. (GOMES, 2004, p.127).
A tendência atual é utilizar treinamento para hipertrofia para todos
os objetivos da musculação. Força, potência e resistência musculares
são qualidades de aptidões inseparáveis do aumento em volume dos
músculos esqueléticos. O aumento da taxa metabólica e uma melhor
capacidade homeostática bioquímica dependem diretamente da massa
muscular.
Os exercícios com baixas repetições oferecem a melhor associação de
qualidades possíveis de serem estimuladas pela musculação, além de maior
segurança cardiovascular. Por essas razões, pessoas idosas, debilitadas
e convalescentes estão atualmente sendo orientadas em treinamento para
hipertrofia. Não há evidências sugestivas e não é sensato imaginar que
adolescentes não possam fazer o que fazen os idosos.
Programa de Treinamento
A montagem de um programa de musculação para adolescentes deve ter
os seguintes aspectos: na montagem da série, deve-se optar por
exercícios globais, evitando-se exercícios unilaterais, respeitando
intervalos e períodos de recuperação mais prolongados do que para os
adultos.
Fleck & Kraemer (1999) colocam que um programa básico de
treinamento para adolescentes bem organizados e bem supervisionados deve
durar entre 20 a 60 minutos por sessão, três vezes por semana.
Conforme o adolescente fica mais velho um programa mais avançado
pode ser desenvolvido, sendo que os exercícios devem envolver todos os
componentes do condicionamento físico, escolher exercícios para
desenvolver equilíbrio das partes superiores e inferiores do corpo e
para os músculos dos dois lados de cada articulação.
O adolescente deve ser submetido a um período de adaptação,
realizando exercícios com cargas leves, para que aprenda a técnica e se
adapte ao gesto motor e ao equipamento usado, de modo a realizar
exercícios de forma controlada.
É importante que a atividade seja procedida de exercícios pouco
complexos que servirão de aquecimento para a atividade principal, assim
como sugerido de uma volta à calma com de relaxamento muscular (ex.:
alongamento);
No caso da utilização de sobrecarga tais como halteres e máquinas de
musculação, sugere-se a utilização de uma a três séries de seis a
quinze repetições, com uma carga tal que o adolescente possa realizar a
atividade com esforço controlado para o número de repetições
estabelecidas. A progressão de cargas deve ser feita de maneira
cautelosa e respeitando as respostas individuais. É importante que o
programa tenha objetivo realísticos e possíveis de serem atingidos e que
a ênfase de cada sessão seja dada a realização do exercício com a
técnica adequada, ao invés da quantidade de carga máxima que pode ser
levantada.
Segundo Bompa (2002); Bar-Or, citado por Villar & Denadai
(2001,p. 113), os programas de treinamento devem ser elaborados de
acordo com o estágio de maturação do adolescente e não de acordo com a
idade cronológica, pois as exigências e necessidades individuais variam
bastante. Adolescentes da mesma idade cronológica podem diferir em anos
com relação à maturação biológica.
A proporção de crescimento de ossos, músculos, órgãoes e sistema
nervoso são diferentes em cada estágio maturacional, e esses
desenvolvimentos determinam a capacidade fisiológica e de desempenho.
Portanto, o programa de treinamento precisa levar em consideração essas
diferenças individuais e o potencial de treinamento. Para o sucesso do
treinamento deve-se usar o bom senso e providenciar variações, períodos
de recuperação ativos e descanso do treinamento.
http://www.muscles.com.br/treinamento/hipertrofia-muscular-musculacao-em-adolescentes/
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